Antes das primeiras palavras: como desenho, massinha e colagem podem contribuir para a alfabetização

Ilustração.blog - Master
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Antes de escrever o próprio nome, formar palavras ou conseguir ler uma frase inteira, a criança percorre um caminho que começa muito antes do contato formal com o alfabeto. Segurar um giz de cera, controlar um traço, modelar uma figura ou fazer uma colagem parecem brincadeiras simples, mas envolvem coordenação motora fina, percepção visual, concentração, imaginação e capacidade de expressão.

No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, a discussão sobre o tema também permite olhar para essas experiências que antecedem e acompanham o ensino formal. Desenhar, pintar, recortar, colar e modelar exigem movimentos cada vez mais precisos das mãos, além de escolhas, associações e organização de ideias, competências presentes em diferentes etapas da infância.

Para Francisco Raimundo, Coordenador Pedagógico e Professor na Rede Pública Estadual, precisamos olhar para a aprendizagem para além daquilo que conseguimos registrar em uma atividade pronta. “Muitas vezes, é durante uma brincadeira, uma criação com massinha, um desenho ou uma experiência com diferentes materiais que a criança revela o que pensa, o que já consegue fazer e também aquilo que ainda está descobrindo”.

Ao usar o giz de cera, por exemplo, a criança precisa controlar a força e a direção dos movimentos para preencher espaços ou acompanhar contornos. Aos poucos, ganha maior domínio das mãos e dos dedos, necessário também para segurar o lápis e realizar os traçados da escrita. Com a massinha, apertar, enrolar, achatar, separar e unir partes proporciona diferentes estímulos motores, enquanto a liberdade de transformar o material em personagens, objetos ou cenários abre espaço para a imaginação.

Colagens, pinturas e outras propostas artísticas acrescentam novas possibilidades. Escolher elementos, estabelecer relações entre formas e cores e decidir onde cada peça será colocada envolve percepção espacial e planejamento. Um desenho também pode se tornar ponto de partida para contar uma história, nomear personagens ou explicar uma situação, aproximando expressão visual e linguagem oral antes mesmo que seja possível registrar todas essas ideias por escrito.

Para Sérgio Janikian, CEO da Master, é justamente a simplicidade desses materiais que amplia as possibilidades de uso. “Na infância, brincar, experimentar e aprender acontecem de maneira muito próxima. Um desenho pode virar uma história, a massinha pode ganhar a forma de um personagem e uma colagem pode representar algo que a criança ainda não consegue colocar em palavras. Quando desenvolvemos nossos produtos, queremos oferecer ferramentas para que ela tenha liberdade para imaginar, experimentar e encontrar suas próprias formas de expressão”, afirma Janikian.

O contato com letras, sons, palavras e textos é indispensável para a alfabetização e não pode ser substituído por atividades recreativas. A contribuição do brincar está em outra dimensão: oferecer oportunidades para explorar movimentos, imagens, narrativas e diferentes maneiras de representar aquilo que se pensa e observa.

“Nosso papel é ajudar a reconhecer essas situações e transformá-las em oportunidades de aprendizagem, sem retirar da criança o prazer de experimentar e criar. Quando respeitamos o tempo, a curiosidade e as diferentes formas de expressão de cada criança, o planejamento pedagógico se torna mais sensível e, ao mesmo tempo, mais intencional. A escola não precisa escolher entre brincar e ensinar: precisa saber quando intervir, quando propor e, principalmente, quando simplesmente permitir que a criança descubra”, completa Francisco.

Nesse processo, a participação dos adultos não precisa significar conduzir cada escolha. Perguntas como “o que você fez?”, “quem é esse personagem?” ou “o que está acontecendo nesse desenho?” Podem incentivar a criança a explicar sua produção, organizar pensamentos e construir narrativas. O mais importante é preservar espaço para experimentação, inclusive quando o resultado foge do que o adulto imaginava.

“Um giz de cera, uma massinha ou uma cola são materiais simples, mas nas mãos de uma criança podem se transformar em inúmeras coisas. A indústria pode desenvolver produtos seguros, acessíveis e adequados para cada fase, mas quem determina até onde eles podem chegar é a imaginação. O produto oferece a ferramenta; a criança constrói a experiência”, acrescenta Janikian.

Ao chamar atenção para a importância da alfabetização, o 8 de setembro também ajuda a lembrar que aprender a ler e escrever faz parte de uma trajetória mais ampla. Letras e palavras chegarão ao papel, mas, antes e durante esse processo, mãos, olhos, imaginação e linguagem já estão trabalhando juntos para descobrir diferentes maneiras de compreender e representar o mundo.

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